Grupo Matuta, que promove diálogo do terreiro com a universidade, realiza seminário a partir desta sexta, 12
O 1º Seminário da Matuta – Oferenda ancestral de alimento ao saber será realizado a partir de amanhã (sexta, 12) e até domingo (14), na Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente (Rua Fagundes Varela, 99, Lagoinha, BH). A Matuta – Comunidade de Pesquisa em Terreiro é um grupo registrado no Diretório de Grupos do CNPq que nasceu no chão da Casa Pai Jacob do Oriente e que articula saberes afrodiaspóricos, afroperiféricos e de terreiro em diálogo com a universidade e com os territórios tradicionais.
O encontro terá mesas de debate, tramas de discussão, apresentações de arte e cultura e a construção coletiva de uma Carta Política com as proposições da Matuta para a pesquisa, reafirmando que a pesquisa também se faz com corpo, o canto, a memória, a luta e a festa.
Durante o evento, será lançado o livro Da macega à makaia: tramas de relação do falar negro de terreiro, de autoria do líder do grupo, Pai Ricardo de Moura. O livro é fruto das vivências e dos saberes herdados pelo mestre de sua ancestralidade e contém debates contemporâneos que são fundamentais para os povos de terreiro e para as linhas de pesquisa da Matuta: a universidade e os saberes tradicionais, a cidade, o ambiente e as comunidades de terreiro, os territórios e lugares de disputa e luta das matrizes africanas e a diáspora negra na periferia.
O seminário é realizado com apoio da ApubhUFMG+.
Conheça a programação.
12 de setembro, sexta, 19h às 22h
Abertura dos trabalhos
Mesa magna de abertura: Da Matuta ao abantu: fundamentos epistemológicos dos povos de terreiro
Pai Ricardo de Moura (Matuta/CCPJO), Gil Amâncio (Ciberterreiro/UFMG), Luciana Oliveira (Corisco/UFMG) e Agnes Antônio (Wairakuna)
Makudiá e apresentações culturais
13, sábado
8h as 9h30 – Café da manhã
9h30 às 13h – Tramas de discussão
13h às 14h30 – Almoço
14h30 às 15h30 – Relatoria das Tramas
15h30 às 17h – Arriada da oferenda e montagem do alguidar final
14, domingo
13h às 14h – Levantamento da Oferenda
14h às 14h30 - Apresentação do Coral Guela Zuela da CCPJO
14h30 - Lançamento do livro Da Macega à Makaia: tramas de relação do falar negro de terreiro, que incluirá roda de conversa com o autor, Pai Ricardo de Moura
16h às 17h – Pagode do Pelezinho
17h30 às 19h – Orisamba
O seminário é realizado com apoio da ApubhUFMG+. Saiba mais sobre o evento.
O livro
Da macega à makaia: tramas de relação do falar negro de terreiro é a primeira obra de Pai Ricardo de Moura, zelador de umbanda da Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente, localizada na Lagoinha, em BH, e mestre de saberes tradicionais. Fruto do programa Rumos Itaú Cultural 2023-2024, a obra traduz para a escrita a riqueza da oralidade e do pensamento afroperiférico, cultivado no terreiro e transmitido ao longo de gerações.
A expressão que dá título ao livro — “da macega à makaia” — simboliza o movimento de abrir caminhos: desde a mata densa e difícil de atravessar (macega) até a mata fértil, espaço de encontro e circulação de ideias (makaia). É nesse trânsito que o falar negro de terreiro se afirma como saber ancestral e contemporâneo, atravessando territórios, cidades, universidades e comunidades.
O volume é organizado em entrevistas, transcrições e diálogos coletivos. O livro foi construído de forma coletiva, com uma equipe multidisciplinar formada por pesquisadoras e pesquisadores das áreas de Letras, Artes, Antropologia e Produção, reunindo integrantes da Matuta – Comunidade de Pesquisa em Terreiro. A coordenação da pesquisa ficou a cargo de Nicole Faria Batista.
