Evento cultural

Marco Prado, do Nuh, participa de debate na AML sobre despatologização das transexualidades

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Apesar do intenso ativismo e de algumas conquistas de ordem jurídica, o panorama atual é adverso à população LGBTQIA+, principalmente pela ascensão da extrema direita e do neoconservadorismo no Brasil e no mundo. Por que o corpo trans incomoda tanto os conservadores? O que fazer diante de tanta rejeição expressa muitas vezes em violência?

Essas perguntas vão orientar as reflexões da próxima edição do projeto Sábados Feministas, que será realizado neste sábado, dia 18, a partir das 10h, na Academia Mineira de Letras (AML). O evento, que tem como tema Transexualidades e travestilidades: despatologizar o olhar é preciso reunirá o professor Marco Aurélio Máximo Prado, do Departamento de Psicologia da UFMG e coordenador do Nuh – Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT+ e a vereadora e pesquisadora Juhlia Santos.

A conversa abordará os desafios enfrentados pela população trans e travesti diante do avanço do conservadorismo, mas também destacará conquistas, possibilidades de alianças políticas e o papel do transfeminismo na ampliação da luta feminista.

Na avaliação do professor Marco Prado, o panorama atual é bastante regressivo do ponto de vista das políticas públicas. Ele defende o poder do ativismo para fazer frente a esse contexto. “O ativismo é fundamental para que existam direitos de igualdade para pessoas trans e LGBTQIA+. Sem o ativismo estaríamos ainda no campo da patologização e criminalização das diversidades corporais, sexuais e de gênero", completa.  Esse ativismo inclui desde pesquisas científicas até a realização da Parada LGBTQIA+ , que tem proporcionado mais  visibilidade e "resistência pública" a debate de temas, que "historicamente são relegados à esfera privada".

Definição ampliada de feminismo
Para a vereadora e pesquisadora Juhlia Santos (PSOL), o transfeminismo amplia a definição do feminismo ao romper com essencialismos biológicos e incluir as experiências de vida das pessoas trans como centrais para a análise feminista. "O transfeminismo aprofunda a noção de feminismo ao evidenciar que a sua luta é pela autodeterminação de todos os corpos e gêneros", afirma. Juhlia Santos tem se dedicado a uma agenda de reivindicação de direitos que inclui desde o combate à violência cissexista à garantia de direitos reprodutivos para todas as pessoas, incluindo o direito à gestação por homens trans. Para ela, vertentes do feminismo tradicional branco, heterossexual e de classe média teriam marginalizado historicamente mulheres negras, indígenas, pobres, lésbicas e trans. "O transfeminismo mostra que não há uma essência única de mulher, mas múltiplas experiências que devem ser consideradas no horizonte feminista", completa a vereadora e pesquisadora.

O projeto Sábados Feministas é uma iniciativa da AML em parceria com o movimento Quem Ama Não Mata, coordenado pela professora aposentada do Departamento de Comunicação da UFMG Mirian Chrytus.

Sobre os convidados
Marco Aurélio Máximo Prado é doutor em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo com residência pós-doutoral na Cátedra de Estudos Brasileiros na Universidade de Massachusetts/Amherst pela Fundação Fulbright. É professor associado IV da UFMG, onde coordena o Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT+ (Nuh/UFMG).

Juhlia Santos é a primeira mulher travesti, preta e quilombola a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de BH. É integrante do Kilombo Manzo Ngunzo Kaiango e militante LGBTQIAPN+, com atuação nas causas trans. É graduada em Comunicação Social e pesquisadora de gênero há 15 anos.

Descrição Imagem
Marco Prado exalta a importância do ativismo no combate à discriminação Foto: Foca Lisboa | UFMG

Ficha técnica

Sábados Feministas: Transexualidades/Travestilidades: despatologizar o olhar é preciso
Debatedores: Juhlia Santos e Marco Prado
Data: 18/10, sábado, às 10h (os portões serão abertos às 9h30)
Local: Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia 1466 - Lourdes)
Entrada gratuita

Serviço

17 a 18 de outubro de 2025

Academia Mineira de Letras (AML)

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Entrada franca

Rua da Bahia, 1466 - Lourdes